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sábado, 31 de março de 2012

Abriram mais uma nova religião: "Mc Jesus Feliz"




Tornou-se comum ouvirmos notícias que não raro envolvem fé e bens, religião e dinheiro, aproximando estas duas categorias estranhas ao verdadeiro cristianismo. Em que pese que as igrejas estão inseridas no sistema capitalista, a tendência recente parece levar algumas a mudar sua linguagem e objetivos. Alguns homens de igreja sintonizados com a globalização da economia, já falam da igreja como "empresa rentável", de "marketing da fé", "investimento em Deus", etc. Este artigo toma como ponto de partida outro publicado tempos atrás no Jornal do Brasil, "Os novos vendilhões dos templos", cujos autores e data não me recordo. A Seguir, algumas observações em aberto às críticas.

Primeira, os escândalos e suspeitas de falta de ética envolvendo dinheiro, mais aparecem nas chamadas igrejas neopentencostais do que nas tradicionais denominadas litúrgicas e congregacionais.

Segunda, nas neopentencostais, ficamos sabendo que qualquer pessoa sem uma sólida formação teológica, ou mesmo de passado imoral ou até mesmo gente que veio do mundo do crime, basta que esta diga que foi tocada pelo Altíssimo onde se supõe que o Espírito Santo se manifestou em seu corpo e logo é promovida a "pastor" e os mais ousados fundam de uma nova igreja cujo nome nem sempre é original ou de inspiração elevada. Ou seja, deveria existir enorme distância entre a conversão de um criminoso e a sua ordenação a pastor, mas o que se sabe é a recente inauguração de um caminho de promoção pessoal e funcional quase divino, que, queima etapas em prol de mais um agente do sistema capitalista de montagem de "franquias" de um novo templo.

Por tradição e bom senso, a formação de religiosos sempre foi longa, difícil, ritualística, e com certas provas de sacrifícios. Hoje, não. Em tempos em que a sociedade pós-industrial acena para nos sofisticarmos cada vez mais em novas formações e reciclagens para acompanharmos o acelerado dinamismo do mercado global, há igrejas fundamentalistas caminhando na contramão, promovendo a ignorância e fanatismo, e também inexcrupulosamente explorando almas ingênuas nos seus propósitos inconfessos. Tradicionalmente, o campo da fé sempre foi cenário de erros, errâncias ou ilusões de pessoas cientificamente ingênuas, mas nos tempos atuais, não devemos confundir esses com os erros imorais praticados por tanto por pessoas inescrupulosas como por uma ou outra estrutura religiosa (na maioria, seitas) que por vêzes "deforma" ou autoriza seus pastores a lucros exorbitantes pessoais em nome da fé. Nesse último sentido, ainda há aqueles que distinguem-se pela "moral cínica", segundo S. Sikek, são pessoas imorais que sabem que estão roubando, mas mesmo assim, ainda vem a público tentar argumentar que frases de efeito hipnotizador ao seu público fanático, que na maioria das vezes, parece acreditar na sua mentira cínica.

Terceira, a sociedade ao responsabilizar o médico, o dentista, o psicólogo, o advogado, quando estes erram. Sabe a quem se dirigir para os denunciar (os Conselhos Regionais das Profissões, a Faculdade que o formou, o MEC que autorizou, o Hospital a que pertence, etc), mas no caso do pastor que erra ou da igreja que age de modo imoral, a quem as pessoas lesadas vão denunciar? Será que os pastores tendem a pensar que só tem contas a prestar a Deus e nenhuma aos homens? Ora, os policiais tem uma corregedoria para investigar desvios e excessos de autoridade, será que os responsáveis pelas igrejas, sob pena de um dia cair no descrédito social, não deveria também ter uma "Corregedoria Moral de Igrejas e Profissionais da Fé" para investigar, julgar e punir os que pervertem a moral cristã?

Quarta, nas igrejas cristãs tradicionais, predominam a discrição e o comedimento nas campanhas do dízimo e, se pensarmos para além da relação dinheiro X igreja, na relação fé X métodos morais, também, nas tradicionais parece existir certa racionalidade nas interpretações dos textos sagrados, há um esforço em fazer ligação dos textos com os problemas do povo, ou seja, vão além da repetição vazia de conteúdo e cheia de emocionalismos que expulsa uma certa razão da práxis teológica. Nos cultos neopentencostais, a voz dos pastores chega a ser estridente, com gestos teatrais em abundância, com insinuações as vezes de mau gosto, que curiosamente parece agradar uma parcela inculta da população propensa ao "êx-tase" (a ficar fora de si), e, também, elevar o narcisismo do pastor a showman da fé,(como foi caricaturado no filme "Fé demais não cheira bem"). Pois bem, o poder de persuasão do pastor faz uso abusivo dos testemunhos, das profecias, dos exorcismos e também há venda de bugigangas supostamente "santificadas". Num determinado momento do culto, na maioria das novas igrejas, o discurso do pastor é construído para exercer uma pressão psicológica para os presentes pagarem o dízimo, não de acordo com o que cada um pode dar, mas de acordo com o que a igreja (que são eles próprios) precisa ou exige. Pode-se até mesmo levantar a hipótese de que essa pressão psicológica, em vários situações, trata-se de "assédio moral" (Hirigoyen, M.-F. Ed., Bertrand Brasil, 2000), na medida em que muitas pessoas silenciosamente sentem-se mais que exploradas, sentem-se indefesas, vitimadas e, se não entregaram suas economias aqueles que pressionam, sentem culpa ou remorso. Tudo é programado segundo o princípio do "vale tudo", desde que se consiga a encenação de uma uma pseudo-cura, uma fala que agrade quem está ouvindo. O "vale tudo" neopentencostal vive a dimensão terrena, se interessa pela expansão da igreja não importa se transformada em empresas e franquias; mais importante de tudo é a prosperidade, sinal que Deus está gratificado também quem é esperto em função de uma causa divina.

Quinta observação, apesar delas negarem, estudos apontam que há pontos em comum entre as igrejas cristãs neopentencostais e as religiões afro-brasileiras. Há, em ambas, a crença em "superstições", "arrebatamentos", "incorporações" de entidades e de demônios. "A pregação de boa parte do neopentencostalismo está baseada no diabo; de vez em quando Deus aparece"(CF).Ambas, há superstições presentes na venda de óleos santificados, de sal, água para combater doenças, expulsar demônios, a concessão de bênçãos por meio de imposição das mãos sobre dores, carteiras de trabalho, retratos, nomes de pessoas em pedaços de papel, etc. Não é de se estranhar que, os pastores mais capazes de "curas" e "expulsão dos demônios", antes de se converterem na nova fé passaram pelas igrejas afro-brasileiras.

Até mesmo a Bíblia tem sido usada não para leitura e exegese da palavra de Deus, mas como simples amuleto, um patuá contra mau olhado, encostos, presença de espíritos imundos, etc. Tal prática foi classificada por Pr. Caio Fábio como "mãe de todas as heresias".

É espantoso reconhecer que as igrejas "dinheiristas" conseguiram caminhar na contramão de Lutero, o "pai do protestantismo" que, nas 95 teses contra as indungências, pregava contra o comércio de objetos sagrados, fetiches, etc. Novamente, é a "moral cínica" dirigindo o destino da instituição e de seus agentes: "eles sabem que exploram, mesmo assim continuam explorando e justificando o quanto seu gesto é moral!". Na verdade, esse espírito da fé que poderíamos denominar de "pós-moderno", está sintonizado com o capitalismo pós-moderno ou pós-industrial: tende a se espalhar rapidamente e a qualquer preço, a exemplo do Mc Donald's, ora tem um discurso aparentemente sofisticado e moral, mas que esconde sua verdadeira moral cínica.

Assim como vem caindo a credibilidade social dos políticos e governantes, receio que está em marcha no imaginário das pessoas o mesmo processo de queda da confiança nos homens de igreja que profanam o espaço do sagrado, invertendo valores e a moral. Em breve poderemos ter uma onda gigante de frustração coletiva diante das novas seitas. É possível imaginar um povo carente, sem esperança no poder político, nos serviços públicos, jovens sem perspectiva de emprego no futuro, e também esvaziados na fé e nos sonhos. Na Europa, no início do terceiro milênio, a maioria da população está descrente em "Jesus" e "Deus", conforme reportagem da Veja (jun/2001). Não seria devido a essas contradições e desgastes dos nomes divinos que tantas vezes foram invocados e usados em vão?

Não nos esqueçamos de São Lucas, sobre os vendilhões do templo. Precisamos ir para além de ouvir, escutar; para além de ver, enxergar. Para além de cegamente crer, refletir e melhorar nossas ações.


 RAYMUNDO DE LIMA: Professor do DFE-UEM e membro da BFC-Centro de Psicanálise, de Curitiba. Publicado na REA, nº 02, julho de 2001, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/002/02ray.htm

sábado, 17 de março de 2012

Deus segundo Spinoza















As palavras abaixo são de Baruch Spinoza - nascido em 1632 em
Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos
grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia
Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.
Era de
família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo
bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em pleno Século
XVII.


 DEUS SEGUNDO SPINOZA   ( Deus falando com você )

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo
mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me
irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem
um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Mulher que Passa







Esta postagem, dedico as mulheres que ainda acreditam no romantismo e na existência de homens que se importam com o que elas pensam e sentem e que as tratam com amor, respeito e carinho.
Penso que ninguém escrevia poemas e letras de música que falam das mulheres de forma tão expressiva como Vinícius de Moraes.



A mulher que passa



Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 5 de março de 2012

Reconhecimento

Muitas vezes ficamos frustrados e nos sentimos tristes pelo não reconhecimento de nossos atos. Por muitas vezes passamos despercebidos e anônimos quando desempenhamos um ato heróico ou um simples ato de ceder um lugar para um idoso no onibus. O fato é que, na verdade, nossos atos nunca passam despercebidos. Para quem acredita que exista um criador e que o mandamento "Ama a teu próximo como a ti mesmo" realmente deve ser seguido, então não há motivo para ficarmos tristes por acharmos que ninguém está vendo nossos esforços para tornar um mundo melhor. 
Abaixo temos um vídeo profundo e cheio de espiritualidade. Vale a pena ver.


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