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segunda-feira, 17 de março de 2014

Viver


Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?

E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso
uma noção de porta,
o projecto de abri-la
sem haver outro lado?

O projecto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?

Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?

Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

  1. Quantas PORTAS...Quantas BATIDAS não OUVIDAS.
    Mas...A PORTA certa nem precisará ser tocada...SE ABRIRÁ.
    Lindo poema...
    Bom te ler no CORAÇÃO que PULSA.
    Fica com DEUS.

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  2. Amo o poema e poeta
    em questão.
    Bjins
    CatiahoAlc./ReflexodAlma

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